Batalha do Reduto

 
  Ataque à região do rio Formoso  

O sucesso da surtida flamenga em Igaraçú alimentou o desejo de repeti-la em outras paragens. Domingos Calabar também tinha seus olheiros e espiões. Segundo eles, um comboio havia chegado recentemente da Península. As informações estavam corretas.

Agora seria a vez de Calabar organizar uma diligência ao sul. Sua meta era pilhar a região de Sirinhaém e do rio Formoso, longe 15 léguas da base naval holandesa.

Localizado a 8° 39’ 39,9" de latitude Sul e a 35° 09’ 11,6" de longitude Oeste, dista pouco mais de 70 quilômetros em linha reta de Recife, na direção sulsudoeste.

A Incursão Holandesa

Na jornada de 20 de novembro de 1632 uma frota com 12 barcos zarpou de Recife. Seu objetivo era o povoado do Rio Formoso, perto dos rios Sirinhaém e Formoso. Para cumprir a missão conduzia um destacamento de perto de 500 mercenários.

As barcaças de desembarque não tiveram trabalho em lançar os bárbaros no continente. Guiados pelo Traidor, pegaram a trilha que os conduziu até uma propriedade rural distante uma légua da localidade: o engenho de Romão Perez. Lá chegando o saquearam, praticaram horríveis depredações, ateado fogo em seguida.

Após este ato criminoso os soldados de fortuna da Companhia rumaram para o atracadouro e incendiaram 2 caravelas ibéricas que ali se encontravam, retornando sãos e salvos a Veneza Pernambucana.

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O Contra-Ataque Pernambucano

Vendo surgir do nada uma imensa fumaça, os moradores desconfiaram que os piratas estivessem rondando a região e trataram de rapidamente embarcar seus bens e família e com eles se internarem nas matas da vizinhança. Por mais que tentasse transmitir calma, o Capitão Mateus Gomes de Lemos Albuquerque, não conseguiu. No final restaram poucos moradores em condições de auxiliar na defesa. Com os seus não totalizavam 60.

Mesmo em fragrante desvantagem numérica, foi de encontro ao atrevido. Este por sua vez já satisfeito retornara às lanchas. O Capitão Mateus Gomes conseguiu alcançar a praia e realizar algumas descargas de mosquete e arcabuz contra os distantes invasores.

___________________________________________ O Socorro

Ao saber da investida flamenga na região do rio Formoso, o Governador pernambucano, Matias de Albuquerque, enviou o Sargento-Mor Múcio Oriola à frente do destacamento de 200 napolitanos. O destino seria o Cabo de Santo Agostinho.

Não havia atingido duas léguas de marcha quando a frota adversária adentrou em Recife. Os batavos estavam cada vez mais ágeis no seu "atacar, destruir e retrair", típico das atuais operações de comandos.

Por seu lado este vai e vem de tropas cansava as reservas do arraial e começava a afetar psicologicamente os mazombos. Esta impossibilidade de acudir a tempo seus protegidos era um novo desgaste que o Anjo das Guarda do Bom Jesus teria que enfrentar.

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Edifica-se o Forte

Para não mais correr o risco de ver as raras embarcações que transportavam o valiosíssimo suprimento, principalmente de munição e de pólvora, serem impunemente atacadas, Matias de Albuquerque mandou erigir um reduto na entrada da barra do rio Formoso.

O forte teria capacidade para abrigar somente uma bateria de duas peças de 6 libras. No comando desta nova instalação militar foi colocado o antigo Capitão de milícias do povoado. Pedro de Albuquerque recebeu 21 homens para guarnecê-lo, sendo um deles, Mesquita, seu artilheiro. Num futuro não muito distante eles se eternizariam na defesa deste baluarte.

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A Heróica Resistência

Em 7 de fevereiro de 1633 durante a expansão do domínio holandês em direção ao Rio São Francisco, tropas holandesas (600 homens) comandadas pelo então major Von Schkoppe, atacaram o Forte do Rio Formoso. Armado com apenas duas peças de canhão e com uma guarnição de 20 homens, os combatentes não aceitaram a intimação para rendição.

O forte resistiu a três pesadas acometidas do inimigo. No quarto assalto, os holandeses puderam enfim entrar no forte, onde encontraram toda a guarnição morta, e apenas um combatente, seu comandante, Pedro de Albuquerque, gravemente ferido. As perdas dos invasores atingiram 80 baixas.

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A Lembrança

O Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, no início do século XX, fez erigir um monumento, com a inscrição:

"Aqui, ao mando de Pedro de Albuquerque, vinte intrépidos guerreiros, a 7 de fevereiro de 1633, repeliram quatro ataques de seiscentos holandeses, produzindo-lhe a perda de oitenta homens. Intimados a capitular, preferiram morrer pela integridade da Pátria. Nunca soldados cumpriram melhor o seu dever."

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Fontes:

 

Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

Site: Consciência.org

 

Dicionário prático ilustrado Lello de 1964 de José Lello e Edgar Lello editado por LELLO & IRMÂOS, pág. 1381.

 

BARRETO, Aníbal (Cel.). Fortificações no Brasil (Resumo Histórico). Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora, 1958. 368 p.

 

GARRIDO, Carlos Miguez. Fortificações do Brasil. Separata do Vol. III dos Subsídios para a História Marítima do Brasil. Rio de Janeiro: Imprensa Naval, 1940.

 

SOUSA, Augusto Fausto de. Fortificações no Brazil. RIHGB. Rio de Janeiro: Tomo XLVIII, Parte II, 1885. p. 5-140.

 

VIANNA, Hélio. Matias de Albuquerque: biografia. Rio de Janeiro: Faculdade Nacional de Filosofia, 1944. 80p. mapa.

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A Heróica Batalha e seus Personagens
 

Eram 20 homens guarnecendo onde hoje é o "Reduto", do outro lado estavam os holandeses, com uma incrível supremacia numérica, os nossos soldados contavam com suas espadas e com a voz penetrante do comande, Capitão Pedro de Albuquerque, estavam sem duvida fadados a rendição, mas resolveram bravamente lutar. Na quarta investida, a 7 de fevereiro de 1633, o inimigo entrou na fortificação e para sua surpresa encontrou o corpo de apenas 20 homens, Pedro de Albuquerque estava no chão juntamente com seu primo Jerônimo de Albuquerque, ambos gravemente feridos, mas o capitão mesmo ao chão ainda empunhava sua espada.

O chefe dos holandeses Van Schkoppe comoveu-se com tamanha bravura e decretou :"Alto! Não se toma a espada gloriosa de um herói". Pedro de Albuquerque foi então socorrido. Os atacantes computaram oitenta baixas

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Pedro de Albuquerque (Sirinhaém —  São Luís)
Pedro de Albuquerque lutou contra os Holandeses em Rio Formoso na Insurreição Pernambucana, o bravo brasileiro foi considerado herói por seus inimigos, por ter lutado com seu exercito de 20 homens contra a temida esquadra holandesa, após a morte de todos os seus soldados e ainda de espada em punho, foi tido como um herói pelo comandante holandês Van Schkoppe.

O valente defensor morreu como governador do Maranhão. Seus restos encontram-se em Belém do Pará, na Igreja N. S. do Carmo.

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Jerônimo de Albuquerque ( Lisboa-1610 — Olinda-1684)


Filho de Lopo de Albuquerque e de Joana de Bulhões, viajou para a Capitania de Pernambuco com o primeiro donatário, Duarte Coelho, e sua mulher, Brites de Albuquerque, de quem Jerónimo era irmão.

Recém-chegado, numa das lutas que teve que enfrentar contra os índios tabajaras, levou um flechada e perdeu um dos olhos. Após esse incidente, ficou conhecido pelo apelido de o Torto. Ferido, prisioneiro e condenado à morte, foi salvo pela intervenção da filha do cacique de Uirá Ubi (Arco Verde), Tindarena ou Tabira, que se apaixonou por ele e o quis como marido. O casamento selou a paz entre os tabajaras e os colonizadores portugueses.

Batizada, posteriormente, Tabira recebeu o nome de Maria do Espírito Santo Arco Verde, em homenagem à festa de Pentecostes que se celebrava no dia do batismo.

Da união de Jerônimo de Albuquerque e Tabira nasceram oito filhos: Jerônimo de Albuquerque Maranhão, que anos mais tarde lutaria contra a invasão francesa no Maranhão, tendo sido também um dos fundadores da cidade de Natal, no Rio Grande do Norte; Manuel, André, Catarina, que se casou com o fidalgo florentino Filipe Cavalcanti, Isabel, Joana, Antônio e Brites. Jerônimo de Albuquerque teve ainda mais cinco filhos de outras mulheres brancas e índias, todos por ele reconhecidos.

Em 1562, em obediência a uma carta-intimação de D. Catarina de Portugal, casou-se com Felipa de Mello, filha de Dom Cristóvão de Mello. Segundo D. Catarina, sendo ele o sobrinho de Afonso de Albuquerque, descendente de reis, não deveria seguir a "lei de Moisés", isto é, manter "trezentas concubinas".

Do casamento com Felipa nasceram mais onze filhos: João, Afonso, Cristóvão, Duarte, Jerônimo, Cosme, Felipe, Isabel, Maria, além de dois que morreram logo após o nascimento. Assim, Jerônimo de Albuquerque teve 24 filhos, entre legítimos e legitimados, o que lhe valeu o apelido entre os historiadores brasileiros de "Adão Pernambucano".

Em suas terras, nas proximidades de Olinda, fundou o primeiro engenho de açúcar de Pernambuco, o engenho Nossa Senhora da Ajuda, depois denominado de Forno da Cal.

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Matias de Albuquerque
General do exercito português cedo embarcou para o Rio de Janeiro aonde ingressou na carreira militar e quando da primeira invasão holandesa na Bahia era o governador de Pernambuco, preposto de seu irmão o donatário Duarte de Albuquerque Coelho com o Governador do Brasil Diogo de Mendonça Furtado preso e remetido para a Holanda foi designado pêlos oficiais da câmara do Espírito Santo para ocupar o cargo de Governador do Brasil. De Olinda enviou tropas em reforços para o recôncavo e no final de 1626 transferiu o seu cargo par Diogo Luiz de Oliveira e recebeu a nomeação para ocupar o cargo de Superintendente da Guerra na Capitania de Pernambuco visitador e fortificador das capitanias do norte partiu para Portugal aonde recebeu um pequeno contingente de soldados e munição e dirigiu-se para Olinda e Recife onde assumiu o governo da donatária pertencente  ao seu irmão, em Fevereiro de 1630 em luta com uma poderosa esquadra foi capitulado ao cabo de alguns dias de luta, o que obrigou a Matias de Albuquerque a se abrigar no Arraial do Bom Jesus que por mais de cinco anos foi o núcleo de forte resistência aos invasores holandeses, com uma serie de ataques de guerrilhas e em 1635 de caminho para Alagoas retomou Porto Calvo aonde aprisionou e mandou executar o traidor Calabar e em Novembro de 1635 entregou a chefia das tropas para Dom Luiz de Rojas Y Borjas e de acordo com as ordens recebidas viajou para Portugal onde vitima de intriga foi preso e somente se libertando com a restauração da monarquia portuguesa em 1640 e na Batalhas de Montijo no ano de 1644 em que venceu os espanhóis recebeu do Rei Dom João IV o titulo de Conde de Alegrete..

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Domingos Calabar
Nasceu e morreu em Porto Calvo, Alagoas (Capitania de Pernambuco). Foi educado por jesuítas, prosperou e se tornou senhor de terras e engenhos de açúcar. Entre 1630 e abril de 1632, participou da luta contra os holandeses sob as ordens de Matias de Albuquerque. Em 1632, passou para o lado do invasor por considerar o domínio holandês mais benéfico para o Brasil que o jugo português – e Portugal, na época, estava sob domínio espanhol. Grande conhecedor do terreno, sua colaboração foi de grande valia para a penetração holandesa, mas, em 1635, o governador pernambucano conseguiu render as forças holandesas. Julgado sumariamente, foi considerado traidor e enforcado por ordem de Matias de Albuquerque.

 

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General Sigismund Van Schkoppe
 

Substituiu Rembach no comando das tropas holandesas que lutavam pela conquista de Pernambuco, Itamaracá, Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas. Obteve Êxito em quase todas as batalhas, e reverenciou como herói Pedro de Albuquerque pela surpreendente resistência no Forte do Reduto.

 

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Os Vinte Heróis

Texto de  Viriato Corrêa in "Meu Torrão", publicado no site: Consciência.org

"Isto foi, meus meninos,  aos sete de fevereiro de 1633, no forte do Rio Formoso, quando Pernambuco estava sob o poder da Holanda.

Para que vocês compreen­dam bem esta história é preciso contar os fatos anteriores.

Três anos antes, tinham os holandeses chegado ao Brasil para se apoderarem de Pernam­buco. Travou-se luta tremenda. Os brasileiros, atacados brutal­mente pelos invasores, defende­ram-se com o desespero com que a gente defende a propriedade e a vida.

Nos  primeiros  tempos  foi difícil para os holandeses a con­do território invadido.  Cada palmo de terra custa-s imensos sacrifícios.  Só Recife e Olinda tinham eles aos, mas, assim mesmo, do Recife não tinham mais do que uma estreita faixa de terra em que viviam, não como invasores, não como senhores da terra, mas como encur­ralados.

Os patriotas pernambucanos, emboscados nos arredo­res, não lhes permitiam sequer apanhar uma fruta nos po­mares vizinhos.

Viviam os holandeses a beber a água salobra das cisternas abertas à beira-mar porque os defensores de Per­nambuco, de armas nas mãos, não lhes permitiam que be­bessem a água fresca dos regatos próximos.

Agora, porém, naquele ano de 1633, a sorte abandonava os pernambucanos. Os invasores começaram a ter as pri­meiras vitórias e, com as vitórias, a posse da terra.

Os holandeses aumentavam o seu poder guerreiro. Enquanto aos nossos, dia a dia, mais faltavam pólvora, braços, dinheiro e roupa; dia a dia, a Holanda despejava em Pernambuco mais armas, mais soldados, mais navios e mais ouro.

As nossas praças de guerra começavam a cair. Iguaraçu havia sido assaltada inesperadamente num dia santo, quando a população despreocupada assistia a uma missa de festa na igreja.

Agora, onde os inimigos imaginavam os brasileiros desprevenidos e desarmados, corriam de surpresa a combatê-los.

Tinha chegado a vez do forte do Rio Formoso.

Pelas informações colhidas, os holandeses no Recife souberam que o forte não tinha mais de dois canhões e menos talvez de cem homens de combate.

E para tão pouca gente e para tão poucas armas os inva­sores armaram-se poderosamente. Quem comandou a expe­dição foi o coronel Van Schkoppe. Muitos navios, muitos canhões e nada menos de seiscentos homens de guerra.

Era ainda de madrugada quando os atacantes chegaram às vizinhanças do forte. Resguardados pela escuridão os navios aproximaram-se. A tropa saltou sem que lhe fosse disparado um tiro.

Aquilo ia ser uma brincadeira de criança. Com menos de cem homens e com dois canhões apenas, a praça de guer­ra dos brasileiros, com certeza, se entregaria aos primeiros sinais do assalto.

O coronel Van Schkoppe, ao clarear do dia, mandou romper o fogo. Uma chuva de balas, apenas uma, seria o bastante para produzir o terror na gente pernambucana! Antes de acabar de nascer o dia, aquilo estaria liquidado!

Mas, de repente, os olhos do coronel brilharam sur­preendidos. É que dos paredões do forte, respondendo às balas holandesas, havia rebentado uma descarga furiosa de fuzilaria. Podia ser aquilo o vigor de menos de cem homens?

Van Schkoppe redobrou o fogo. A alvorada cor-de-rosa que nascia tingiu-se tristemente do fumo negro do ti­roteio. Durante mais de uma hora, de lado a lado, não se ouvia senão o pipocar dos arcabuzes e o estrondar dos canhões.

Mas, durante mais de uma hora, os holandeses não puderam dar um passo para conquistar o forte. E, minuto a minuto, iam perdendo mais gente.   Schkoppe franziu a testa e mandou cessar o fogo. Não valia a pena perder mais homens quando, por palavras, talvez conseguisse a rendição do inimigo. Os pernambucanos do forte estavam a sustentar o combate porque, com certeza, desconheciam a superioridade formidável das forças atacantes. Quando soubessem que ali estavam seiscentos homens, dezenas de canhões e munições para muitos dias, de certo se entrega­riam, sentindo inútil a resistência.

Pedro de Albuquerque, o comandante do forte, devia ser informado da verdade para que não estivesse perdendo tempo e soldados em combater forças que seriam incontestavelmente vencedoras.

Arvorou-se a bandeira branca. Dois mensageiros par­tiram em direção da fortaleza atacada.

Schkoppe ficou silencioso à espera.

Meia hora depois voltavam os mensageiros.

— Pedro de Albuquerque manda dizer que, em vez de
seiscentos, podíamos ser um milhão, porque ele só entre­
gará a praça de guerra quando lá dentro não houver mais
um homem vivo para empunhar uma arma.

O coronel franziu as sobrancelhas. O sangue subiu-lhe ao rosto, chisparam-lhe os olhos.

— Fomos enganados! bradou. Em vez de cem homens
lá dentro do forte deve haver um exército!

E para a tropa:

Fogo!

O combate recomeçou mais intenso, mais feroz.

Ali por volta do meio-dia o tiroteio foi pouco a pouco esmorecendo no forte. Um disparo agora, outro depois, outro muito depois.

Eram duas horas da tarde quando não se ouviu mais tiro nenhum.

Schkoppe torceu desconfiadamente os grandes bigo­des.   Que era aquilo?   Alguma cilada?

E mandou cessar o fogo. A fortaleza muda estava, mu­da ficou.

Valia a pena avançar. E deu ordem para que se avan­çasse.

Nada, nem um tiro, nem um sinal de vida nos paredões do forte. Teria aquela gente conseguido fugir? Por onde, se estava feito o cerco completo?

Uma interrogação brilhou inquietamente nos olhos do comandante holandês.   Por que aquele silêncio, por quê?

Não se contém. De espada nua, toma a frente das tro­pas e avança até às muralhas da fortaleza. Galga nervosa­mente a primeira porta que encontra, sobe a primeira ram­pa e mergulha num corredor. Ninguém. Avança. Sobe à larga plataforma, e pára de súbito como se alguém lhe ti­vesse impedido os passos.

É que diante dos seus olhos, tombados no chão, estão vinte homens e todos ensangüentados e todos mortos.

O rosto do comandante holandês tinge-se de vergonha. Ele, o militar cheio de glórias, levara quase um dia para vencer vinte homens!

Nesse momento, um punhado de soldados vem chegando ruidosamente à larga plataforma.

Schkoppe   ergue   o  olhar   e brada numa   ordem:   — Silêncio!   E  de cabeça descoberta:   —  Curvemo-nos !   São  heróis!

Silêncio!

E de cabeça descoberta:

— Curvemo-nos!   São heróis!

Os soldados ficam ali parados, mudos, surpreendidos. E, um a um, se vão descobrindo, respeitosamente, emocionadamente, diante daqueles vinte cadáveres ensangüentados."

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